À CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL CNBB
Assunto: Solicitação de Espaço no Rádio e Televisão da Igreja Católica para o Jornalismo Independente Progressista
Nós, cidadãos e
cidadãs brasileiros e brasileiras, comprometidos com a democracia, a justiça
social e o direito à informação de qualidade, abaixo assinados, vimos solicitar
à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que assegure horários
diários de sessenta minutos nos turnos manhã, tarde e noite nos Canais de Rádio
e Televisão da Igreja Católica para transmissão de telejornais e radiojornais
apresentados por jornalistas de mídias independentes progressistas alinhados à Esquerda
Brasileira com foco na política nacional e internacional.
Esta solicitação de
abertura democrática dos Canais Católicos de Rádio e Televisão inspira-se em
documentos oficiais da Igreja Católica que consideram:
1. A Televisão, o
Rádio e o Cinema como meios que devem estar a serviço da verdade e do bem,
sendo que “Servir a verdade significa não só apartar-se da falsidade e do
engano, mas evitar também aquelas atitudes tendenciosas e parciais que poderiam
favorecer no público conceitos erróneos da vida e do comportamento humano”: Miranda
Prorsus (1957);
2. O direito à
informação objetivamente verdadeira, de modo que os meios de comunicação contribuam
para formar uma reta opinião pública: Inter Mirifica (1963);
3. Que “Toda a comunicação deve obedecer à lei
fundamental da sinceridade, honestidade e verdade”: Communio et Progressio
(1971);
4. O direito de
comunicar como direito de todos, o que exige esforços para proporcionar aos
pobres e aos mais fracos o acesso à informação: Aetatis Novae (1992);
Carta Apostólica Rápido Desenvolvimento (1992);
5. Os pobres como opção
preferencial da Igreja Católica: Concílio Vaticano II (1962-1965), Medellin
(1968), Puebla (1979), Santo Domingo (1992), Aparecida (2007); essa opção como
missão de toda a Igreja com vistas à promoção da pessoa humana em todas as suas
dimensões: Sollicitudo Rei Socialis (1987) e Evangelli Gaudium
(2013); e atenção aos pobres como expressão da caridade cristã e da justiça
social: Catecismo da Igreja Católica (1992, §§ 2443-2449).
Também decorre a presente solicitação de
fatos e evidências assim verificados:
1. A extrema direita no
país com suas tentativas de golpe contra a democracia e seus constantes ataques
à soberania nacional configuram-se como um poder paralelo que gera instabilidade
política e tensões sociais, afetando, inclusive, as relações pessoais e
exigindo dos meios de comunicação mais compromisso com a verdade dos fatos e comunhão
de esforços para a proteção das liberdades individuais, preservação das
instituições e da vida com segurança e paz para todos;
2. A esquerda brasileira, enquanto empreendedora de lutas
históricas por justiça social e políticas de redução das desigualdades,
alinha-se à missão da Igreja Católica na sua opção preferencial pelos pobres,
justamente esse o público que mais requer proteção em situações de
instabilidade política e social como as que por ora vivenciamos em nossa
sociedade em decorrência de ataques extremistas à nossa democracia e soberania;
3. Partidos de esquerda e movimentos populares geralmente não
dispõem de espaço nos meios corporativos de comunicação para divulgar suas
pautas e lutas. Pelo contrário, sindicatos e movimentos sociais têm sido
sistematicamente negligenciados, silenciados ou retratados de forma negativa e
até criminalizados pelo jornalismo das grandes redes de televisão em
evidentes tentativas de prejudicar sua legitimidade perante a sociedade, o que
se configura como flagrante desrespeito à pluralidade e aos princípios
democráticos; e
4. O controle dos
meios de comunicação pelas elites dominantes e o consequente silenciamento de
pautas populares nesses meios tornam o jornalismo
independente progressista um lugar de fundamental importância para a desconstrução
de narrativas hegemônicas e para a visibilidade e defesa das pautas populares e
dos direitos historicamente conquistados e em vias de conquista pela esquerda brasileira.
Ademais, a referida
solicitação baseia-se ainda na compreensão de que a polarização política atual,
além dos tradicionais mecanismos de desinformação em nossa sociedade, desenvolve-se
também em meio a discursos autoritários e à disseminação do ódio, razão por que
o jornalismo independente progressista com sua força essencial na defesa da
democracia e dos direitos humanos também pode contribuir sobremaneira com:
1. O Combate à
Extrema Direita Fascista: Diferente de mídias corporativas comprometidas com
interesses econômicos, o jornalismo independente atua com maior liberdade
editorial, permitindo uma cobertura mais crítica, plural e comprometida com a
verdade, prerrogativas essas essenciais no combate ao avanço da extrema direita
fascista, que se alimenta da desinformação e da manipulação emocional para se fortalecer
em nosso meio;
2. A Formação da
Opinião Pública: É fundamental a pluralidade de vozes nos meios de comunicação
como contrapontos aos discursos hegemônicos ou de visão única das redes de
televisão e outros canais corporativos de comunicação que, para atender a
interesses políticos e econômicos, geralmente distorcem ou omitem fatos
relevantes para a opinião pública, o que prejudica o pensamento crítico, impede
a transformação social, enfraquece a democracia e fortalece apenas o avanço da
extrema direita em nosso país;
3. A Politização e a Formação
Cidadã: Espaços jornalísticos independentes de rádio e televisão ajudarão a politizar
e a conscientizar a população com informações que verdadeiramente esclareçam os
fatos, possibilitando uma educação política e cidadã mediante a compreensão da
realidade nos seus distintos contextos – políticos, econômicos, sociais e
ambientais – nas esferas local, regional, nacional e internacional.
4. O Combate à
Desinformação: Nos atuais cenários de fake news ou manipulação das
informações, distorção de fatos, os comunicadores independentes progressistas
com jornalismo investigativo e compromissado com a verdade são um pilar
fundamental na difusão de informações corretas e confiáveis, essa a única forma
de combater a desinformação reinante em nossa sociedade, e assegurar a
compreensão da realidade ou dos fatos como eles se apresentam.
5. O Jornalismo Ético
para Telespectadores e Radiouvintes: Comunicadores independentes progressistas
livres de pressões políticas e econômicas podem oferecer à população uma fonte
de informação diversa e comprometida com os valores da justiça e da verdade; e,
assim, fortalecer a pluralidade de vozes no rádio e na televisão, ampliar o
diálogo democrático, estimular o pensamento crítico, contribuir com a
transformação social e possibilitar aos pobres o acesso a informações que lhes
permitam empreender mudanças que lhes beneficiem a vida com dignidade.
Por essas razões, almejamos que a CNBB crie e mantenha espaços permanentes de Jornalismo Independente
Progressista nos Meios de Comunicação de Rádio e Televisão da Igreja Católica como
forma de fortalecer a democracia, a justiça social e o direito dos telespectadores
e radiouvintes à informação verdadeira, ética e qualificada, inclusive em
atendimento ao Papa Francisco ao nos recordar que “Temos de nos exercitar em
desmascarar as várias modalidades de manipulação, deformação e ocultamento da
verdade nas esferas pública e privada.” (Fratelli Tutti, 208).
Por tudo isso,
confiamos na sensibilidade pastoral da CNBB para acolher este apelo em prol da
verdade nos meios de comunicação e, assim, melhor contribuir com a formação cidadã
dos menos favorecidos.
Nestes Termos
Subscrevemo-nos
Cidadãos e cidadãs brasileiros
e brasileiras que assinam esta petição a partir desta data de 10 de novembro de
2025.
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